Blog do Márcio Holland

07.05.2010 - A Crise na Área do EURO

A Área do Euro, Euroland, como conhecido pelo mundo afora, é mesmo uma área monetária ótima?

Desde 1999, 11 paises começaram a aderir ao Euro, mais particularmente, se tornaram membros da Euroland. Desde então outros 14 paises passaram a compor a área monetária, com previsão de mais ingressantes, entre 2011 e 2015, como a Estônia, Bulgária, entre outros.

O que significa isso? Por que um pais prefere adorar uma moeda comum a ter sua própria moeda? Qual é o benefício disso? Há custos? Um sistema monetário como estes, de uma moeda comum, com tantos paises tão diferentes é sustentável no longo prazo? A Euroland é mesmo uma área monetária ótima?

Dada a crise na Grécia, e a passos largos problemas na Espanha, Portugal, etc. neste blog, nos próximos posts vou tratar deste assunto.



07.05.2010 - O que é uma Área Monetária Ótima?

Área Monetária Ótima [Verbete para Sandroni, P. Dicionário de Economia; elaborado por Márcio Holland]

É uma das questões mais clássicas em Finanças Internacionais, remota dos trabalhos de Robert A Mundel (1961). [Robert A. Mundell, 1961, “The theory of optimum currency areas”, American Economic Review, 51, september 1961, pp. 717-725]. Nesta teoria encontram-se elementos centrais para a avaliação de benéficos e custos na adoção de uma união monetária entre diversas economias, tal que se constituiria em avanços analítico perante a alternativa entre a adoção de regime de taxa de câmbio fixo ou de taxa de câmbio flexível. Uniões monetárias seriam, assim, mais difíceis de serem rompidas do que regimes de taxas de câmbio fixas, mas, muito provavelmente exigiriam elevado grau de coordenação de política econômica entre as economias pertencentes à União Monetária. Sabe-se que, economias com mais integração comercial e financeira deveriam tender a adotar regimes cambiais mais estáveis entre si, senão a própria união monetária, ou seja, uma moeda comum para as transações comerciais, de serviços e financeiras.

Contudo, economias com poucas transações comerciais, de serviços e financeiras, tenderiam a adotar regimes cambais distintos entre si, provavelmente taxas mais flexíveis de câmbio. Para que uma Área Monetária Ótima se verifique na prática é de fundamental importância o estabelecimento de um pacto de convergência macroeconômica, assim como, que seus membros sejam altamente integrados, comercial e financeiramente.

A constituição de uma Área Monetária Ótima implica em benefícios e perdas para os diversos membros. Os principais benefícios são os seguintes: redução do custo de transação na conversão monetária, redução dos custos contábeis e maior previsibilidade de preços relativos para firmas que realizam negócios nos diversos paises membros, menor contágios de diversos choques monetários e de bolhas especulativas que pudessem levar a flutuações transitórias nas taxas de câmbio, e, finalmente, menor pressão política por proteção comercial devida a mudanças eventuais nas taxas reais de câmbio.

Esses benefícios são também considerados como ganhos de eficiência monetária. Assim, alto grau de integração econômica entre paises em uma união monetária com uma taxa de câmbio fixa entre as moedas domésticas destas economias, amplia o ganho de eficiência monetária de todas as economias.

Contudo, pode-se considerar como perda de eficiência monetária quando: as economias perdem sua autonomia para se fazer política monetária doméstica em resposta a fatores macroeconômicos específicos do país, quando certos paises abrem mão da opção de se usar controles inflacionários para controlar déficits públicos, especialmente em situações extremas como a de uma guerra, ou conflitos diversos, a própria transição para a situação de um país membro da união monetária pode implicar em ataques especulativos, dispersões gerais nos níveis de preços e desequilíbrio nos preços relativos, entre outros. Assim, a decisão de um determinado país em fazer parte de uma união monetária pode ser ilustrada como segue.

A perda que um país teria em termos de instabilidade de produto e emprego seria mais do que o ganho de eficiência monetária, com redução de custos de conversão cambial, entre outros.

Contudo, quanto maior é o grau de integração, maiores são os benefícios com a adoção de uma taxa de câmbio fixa à das moedas dos demais paises membros da união monetária. Assim, a direção rumo a escolha de regimes de taxa de câmbio fixa quando os ganhos de eficiência monetária superam as perdas de eficiência monetária.

Fonte: Adaptado de P. Krugman e M. Obstfeld (2000). Economia Internacional: teoria e política. 5ª. Ed. São Paulo: Makron Books, pág. 644.